quarta-feira, 29 de setembro de 2010

a casa.


 Eu disse-te desde o inicio que esta casa era grande, tu insististe e disses-te que um dia precisariamos de espaço para criar a nossa familia e que todas as outras casas eram pequenas demais para o futuro com que juntos sonhávamos. Acabei por concordar contigo e comprámo-la.
 Ao contrário do que eu pensei, não discutimos quando fomos escolher a cor das cortinas, nem os sofás, nem os lençóis, estiveste sempre plenamente de acordo comigo, como se finalmente tivessemos o mesmo gosto. Fazias o jantar e lavavas a loiça, eu tentava ajudar mas recusavas sempre, como se tivesses a fazer um esforço para me veres feliz e eras realmente bem sucedido...
 Um dia chegas-te a casa, disses-te que estavas farto, que precisavas de espaço, não te questionei, nessa noite fui dormir para o quarto de hóspedes e para minha surpresa, a meio da noite, vieste ter comigo, pediste-me desculpa e envolveste-me em mil caricias, depois disso nunca mais discutimos, nunca mais, até àquele dia (...)
 Eu tinha razão, esta casa é demasiado grande, demasiado grande para aqui viver apenas uma pessoa, esta casa é demasiado grande para estar tão vazia e não é uma questão de ocupação porque mesmo que ela estivesse cheia de gente, estaria vazia, porque tu não estarias cá, porque tu foste-te embora, fizes-te as malas e deixas-te a tua cópia da chave em cima da mesa, sais-te para nunca mais voltar (...)
 Eu esforçei-me para saber o teu paradeiro, para te ver de novo e implorar que voltasses para casa mas tu desapareceste sem deixar rasto.
 A única coisa que me deixas-te foi esta casa, vazia, sem ponta por onde se lhe pegue.
 Nunca me deste oportunidade de te dizer, mas na realidade, não importava o tamanho da casa onde viviamos, porque nem mesmo o próprio planeta tinha espaço para o futuro com que juntos sonhávamos mas podiamo-lo ter vivido à mesma, em qualquer lugar...
 Continuo à espera (...)